Sobre desconectar em tempos digitais

Loma Sernaiotto

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Curiosa. Filha de Iemanjá. Publicitária, tatuadora cosmética. Blogueira há 15+ anos. E muito feliz em ter você aqui.

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A gente se acostumou com tudo na ponta do dedo, pra ontem! E essa rapidez toda me deixou doente. Tava na hora de desconectar.

Ah, a internet! Essa benção que disponibiliza informação ao nosso alcance a qualquer hora. Que aproxima pessoas, torna trabalhos mais produtivos e conexões mais intensas. Tem de tudo ali, na nossa mão, em questão de segundos: a pessoa que amamos, a pesquisa de um projeto, os recursos para um conteúdo, infinitas opções de entretenimento e até os nossos bancos.

A gente se acostumou com tudo na ponta do dedo, pra ontem! E essa rapidez toda me deixou doente. Tava na hora de desconectar.

Chegamos num momento cultural em que não aceitamos bem a demora. Se um site não carrega em 10 segundos, você fecha a aba. Se o email não é respondido na mesma hora, o chefe chama na mesa. Se a mensagem não é respondida no mesmo dia, todo um fluxo de ansiedade é desencadeado. Acontece que a falta de resposta pode ser, sim, uma resposta. E que nem sempre essa resposta é sobre você.

Na ausência digital, somos bombardeados de passivo-agressividade quando, na real, ninguém tem o interesse real naquilo que acontece com você fora da tela. O “oi, sumida” vem recheado de pressupostos, quando você só precisava de um tempo.

E nesse tempo, o mundo continua rodando. As engrenagens da nossa sociedade digital não param pra sua saúde mental, more.

Eu cresci em uma cidade litorânea pequena e tive acesso ao meu primeiro computador quando tava me formando no ensino médio. Enquanto todos os meus amigos já estavam no ICQ e MSN, eu fazia meus trabalhos da escola com enciclopédias.

Troquei cartas com as minhas amigas que moravam longe e muitas fanfics por correio até os meus 18 anos. Se eu queria brincar na rua, em uma era sem TikTok, eu ia até o portão dos amigos para saber se queriam fazer algo. O algo? Jogo de tabuleiro, andar de skate ou praticar algum esporte.

Em 1999, tecnologia pra mim era o Tamagochi, que apitava quando queria comer.

Então eu descobri a internet e tudo aconteceu numa velocidade assustadora: no meu primeiro ano, eu já tinha um blog zip.net e fazia meus próprios layouts no paint. Logo depois, eu já tava no Orkut aceitando depoimentos com scrap. Praticava inglês no MSN com amigos gringos e jogava Ragnarok com os colegas de outras cidades.

E com toda essa rapidez – para a qual eu certamente não estava preparada – chegou o medo da rejeição, a ansiedade de obter tudo na hora, a vontade de participar de tudo e estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

Já ouviu falar de FOMO?

Eu fui uma pessoa totalmente conectada por muitos anos, antenada em todas as novidades e ferramentas digitais, que respondia todos os emails na mesma hora e estava sempre disponível… até 2016.

Acontece que eu me mudei para a Coreia em 2016. Num piscar de olhos, toda a vida que acontece fora da internet consumiu a minha pouca inteligência emocional. Eu precisava me virar num país novo, aprender um novo idioma, aprender a usar o transporte público, a lidar com as pessoas, a entender o que elas esperavam de mim. Tive que construir novos relacionamentos e círculos sociais, tive que entender como funciona a cultura local e tive que lidar com uma síndrome do pânico que existiu em mim por anos enquanto morava no Brasil.

Foi quando eu descobri que não dava pra fazer tudo isso e ainda estar presente na internet o tempo todo, como eu sempre fui.

Decidi priorizar a minha saúde mental, estipular limites e desconectar um pouquinho. Parece o plot de um episódio de Black Mirror, mas eu consegui.

Veja bem, agora eu estipulo horários para a conexão.

Priorizo as mensagens que vão direto ao ponto, já que consigo responder com mais agilidade. Entenda que eu não sou ninguém na fila do pão para chegar aqui, no meu espaço digital, dizendo que “filtro” as minhas DM’s. Mas eu estou em outro fuso e acabo levando 5 dias só pra finalizar um diálogo básico com o famoso “oi, tudo bem?” e isso é muito cansativo pra mim.

Também deixo para responder as pessoas em horários quando minha atenção está livre, como quando estou no metrô, para dedicar total atenção à conversa. Se é pra responder meia boca, eu nem abro o chat, sabe?

Pra minha sorte, sou rodeada de pessoas que entendem a minha ausência e respeitam o meu tempo. Mas também tem muita gente que acaba levando na pessoal e demandando atenção. Eu costumava me culpar com essa atitude, mas hoje entendo que, para algumas pessoas, atenção equivale a afeição. E aceito o risco de soar egoísta ao não entregar a atenção constante que me demandam.

Para mim, que vivo distante de todos que amo, presença não significa amor. Aprendi a demonstrar e receber amor de outras formas.

Mas eu só queria relembrar que nem sempre é sobre você, sabe?

No meu caso, é sobre balancear rotina e uma cabeça cheia de ansiedade 24h por dia. Não estar presente em aplicativos de mensagem não quer dizer que eu me importo menos ou que te esqueci. Só quer dizer que eu preciso de silêncio e espaço para organizar as ideias. E se você me conhece bem, e sabe por tudo que eu passei ao longo dos anos, vai entender.

E pra quem está sofrendo para digerir tanta informação em tempos de conexão, eu deixo um recado cheio de carinho: priorize seu tempo e sua saúde – e se precisar desconectar um pouquinho, tá tudo bem. Quem (se) importa, fica.

E não sei se já ouviu isso hoje, mas você tá indo muito bem.

janeiro 17, 2021

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  1. Jaqueline disse:

    Eu assumo meu vicio em estar conectada, mas tento de todas as formas fazer esse jogo ao meu favor vendo coisas que me acrescentam e me livrando da negatividade e toxidade e velocidade que vem as informações. Também faço as coisas no meu tempo e respondo no meu tempo. Infelizmente não é todo mundo que entende.www.blogflorescer.com

  2. Hadassa disse:

    A internet por si só é uma máquina de provocações dos nossos medos e fragilidade.A partir do momento em que nos deixamos dominar por essa rede tecnológica, estamos expostos a problemas como ansiedade, diminuição de auto estima, entre outros. Contudo, se tivermos um controle de largar o celular ou notebook algumas horas essa dominação que a internet tem sobre a gente não acaba afetando muito e acabamos por ter o equilíbrio sobre o nosso dia e mente.

  3. Jess disse:

    hello lominha! ❤Sabe, acho que isso tá rolando com a geral e tudo que vem acontecendo com o mundo só tem feito a gente pensar no que realmente é essencial. E esse é um caminho sem volta porque quando a gente silencia e fica mais para dentro, a gente começa a perceber como é bom viver assim . E no fim acho que o mundo vai se educando e entendendo isso. É um processo. Eu tenho sido a pessoa que não vê stories de amigos, não tenho tido mais tempo para whats app. No começo as pessoas reclamam, mas depois entendem que não é sobre eles, mas sobre você. Nosso emocional não tem condições de atender a todas as demandas desse mundo altamente conectado onde todos os dias temos milhares de conteúdos e solicitações para acompanhar.Acho que é um processo.quando posso sempre te acompanho por aqui ou outra rede e desejo muito sucesso para ti, mesmo que a distância e mesmo que não conseguindo ter a frequência que tínhamos no começo da blogosfera ❤

  4. maki disse:

    amiga, sabe que eu tenho pensado MUITO sobre isso e sobre como a gente lida com tecnologia. passar duas semanas longe das redes sociais, inclusive tendo deletado os aplicativos do celular, me mostrou que essa demanda toda do online só é uma demanda mesmo se a gente quiser, né? a minha atenção sou eu que dou e percebi o poder que tem fazer escolhas conscientes sobre como eu quero gastá-la. resultado: tenho passado menos tempo no celular e mais tempo fazendo o que gosto e o que quero. tem gente que tá sofrendo com essa demora em responder, mas para mim a boa notícia é que boa parte das pessoas com quem trabalho já entenderam que depois de certo horário eu nem olho o celular. minha cabecinha agradece!

  5. Midori disse:

    eu tenho pensado muito nisso ultimamente. em como, hoje em dia, parece errado não estar on-line ou fazendo alguma coisa pra compartilhar nas redes sociais.me sinto super culpada por ser uma péssima amiga de whatsapp. acabo demorando dias pra responder e quando vou ver, a conversa já não faz mais sentido.mas tenho tentado passar menos tempo perto do celular. durante a pandemia eu criei o hábito de ler livros e isso tem ajudado bastante a fazer minha cabeça entender que tá tudo bem.

  6. Chell disse:

    Tenho feito isso. Com bebê o tempo fica ainda mais escasso e a gente tem que se virar. Percebi também que era bom ficar mais distante das notícias esses dias de pandemia, ver elas me dava ataques de ansiedade.

  7. Iara Nunes disse:

    eu procuro a internet atras de algo, eu nao fico so conectada por estar, talvez seja ai que nao sinto vontade de desconectar.porque se estou conectada é porque quero aquilo, se nao quero faço croche ou vejo serie.mas ja teve epocas que eu so queria o msn e o orkut.

    • É fácil viciar em redes sociais, principalmente para a geração que não cresceu nesse ambiente, como a minha (e as anteriores). Fico feliz que você tenha uma relação saudável com a internet e admiro demais quem faz crochê, acho lindo! Obrigada pelo comentário, Iara.

  8. Oi Loma! Primeiro queria dizer que sempre fico muito feliz quando sai post novo seu, e que dessa vez fiquei mais feliz ainda em ver a mudança por aqui. Tá tudo tão lindo!! Morri de saudades quando li a frase “crio cactos, conteúdo e expectativas”, não sei se você tinha mudado ela, mas tinha tempo que não lia! Me lembrei de uma vez que você trocou seu layout pra um tema de cactos, a coisa mais linda do mundo. Você sempre manda muito bem <3Agora sobre o post, te entendo perfeitamente! Também comecei a desacelerar um pouco por volta de 2016, quando tava chegando nos últimos períodos da faculdade e me faltava tempo pra (literalmente) comer. Eu respondia mensagens todos os dias, e tava super antenada em tudo que acontecia na internet. Tinha conta em todas as redes sociais. Não dei conta, naturalmente. Aos poucos fui apagando algumas e hoje só uso as que gosto, todas com limites de tempo. Não consigo responder todo mundo todo dia, e entendo quem fica chateado, mas não dá. Enfim, me identifiquei com seu relato e queria compartilhar um pouco da minha vivência com isso. Acho que o segredo é desacelerar mesmo, e ir aos poucos diminuindo o ritmo. As coisas na internet acontecem rápido demais, quem sabe a gente não consegue construir uma internet que tenha um ritmo mais saudável?Bjs bjs!!

    • O layout de cactus aconteceu em 2014~2015 e eu tô chocada que você lembra, Marina! Muito muito muito obrigada por estar aqui comigo há tanto tempo. Eu troquei o layout pois queria focar no conteúdo e tudo que tenho pra falar. Foi a forma que eu encontrei de me reconectar um tiquinho com a blogosfera antiga. Pra ser honesta, na nossa sociedade conectada, eu acho o “ritmo mais saudável” um pouco utópico. A demanda por informação e inovação só cresce – e é até um pouco hipócrita da minha parte criticar um sistema do qual eu faço parte como criadora de conteúdo e empreendedora. Mas eu acho que o ritmo do mundo não precisa ser o nosso e é possível, sim, priorizar e limitar. Resumindo: a internet pode ter o ritmo frenético que quiser, contanto que a gente saiba desconectar quando preciso, dizer não quando preciso e escolher as batalhas certas para focar nossa energia. Faz sentido? Amei esse diálogo e adoro conversar sobre isso. Obrigada por compartilhar sua vivência! <3

  9. Fernanda disse:

    É exatamente isso! Você descreveu meus últimos anos: desconectando do que posso.Funciono melhor no silêncio, na reflexão, longe da internet, longe das notificações. E posso garantir que minha vida melhorou.Bom quando entendemos nosso ritmo, não éh?!*e bom ler por aqui novamente.

    • Eu ando funcionando tão bem no silêncio e na minha própria companhia, que atualmente tenho me estressando fácil com barulhos desnecessários e pessoas (desnecessárias). No fim das contas, eu me tornei um grande Lula Molusco! hahahaha obrigada por estar aqui comigo! Amei seu comentário!

  10. Jae-hyeon disse:

    SIM, SIM E MIL VEZES SIM!!!!!!!!As pessoas hoje em dia estão muito acostumadas com o ritmo instantâneo que a internet proporciona. E começam a te cobrar quando você não segue o ritmo. Como se fosse sua obrigação moral seguir o barco, e se você não responde a msg no WPP em 1min, você tá sendo ignorante e dando vácuo nas pessoas e isso simplesmente não entra na minha cabeça.Que voltemos às cartas! É mto tóxico esse raciocínio de que devemos estar sempre disponíveis e dispostos a responder e-mails e mensagens instantaneamente, como se não tivéssemos outras responsabilidades na nossa vida.E isso infelizmente reflete em nossas vidas pessoais.Ter 20 anos (no meu caso, óbvio) e achar que está atrasado em relação ao resto, e que não dá tempo de realizar seus projetos e que você está correndo contra o tempo é o resultado dessa grande globalização que essa geração vive, onde você é obrigado a assistir várias pessoas tendo sucesso cedo. E a gente /precisa/ parar um pouco e respirar fundo.

    • Exatamente! E eu achei tão interessante que você mencionou as pessoas que obtém sucesso cedo porque, na maioria das vezes, elas estão tentando há anos e não foi uma coisa que aconteceu da noite pro dia, sabe? Mas a internet é cheia de recortes e a gente entra nesse grande buraco sem fundo da comparação. Acho que entender o nosso próprio ritmo, entender como entregamos nossa atenção (e também como gostamos de receber atenção) são fundamentais para desapegar das demandas externas e levar a vida com mais leveza. E leveza não significa falta de foco. Mas quando a gente espalha nossa atenção, acaba tirando o foco das coisas que realmente importam pra gente. Amei seu comentário, obrigada por compartilhar aqui comigo!

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